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Como incluir fatores psicossociais no PGR

Incluir fatores psicossociais no PGR exige identificar condições relacionadas à organização do trabalho, avaliar os riscos, registrar os resultados no inventário e transformar as medidas de prevenção em ações acompanháveis. Neste guia, você verá como estruturar esse processo na prática.

Os fatores psicossociais devem entrar no PGR?

Sim. Os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho devem ser considerados no gerenciamento de riscos ocupacionais, seguindo a integração entre a NR-01 e a NR-17.

Isso significa que a organização precisa identificar as condições de trabalho com potencial de causar danos, avaliar os riscos, registrar as informações no inventário e definir medidas de prevenção no plano de ação.

Não é suficiente realizar uma pesquisa de clima, aplicar um questionário ou oferecer uma palestra sobre saúde mental. Os resultados precisam ser conectados às atividades, aos grupos expostos e às decisões do PGR.

Acesse o Guia Completo sobre Fatores Psicossociais no Trabalho

O que precisa constar no PGR

O PGR deve transformar a avaliação psicossocial em informações organizadas para gestão. Seus dois documentos centrais cumprem funções diferentes e complementares.

Inventário de riscos

Registra os perigos identificados, as situações de exposição, os grupos expostos, os controles existentes, as possíveis consequências e a avaliação dos riscos.

Plano de ação

Organiza as medidas de prevenção, prioridades, responsáveis, prazos, formas de acompanhamento e critérios para avaliar a eficácia.

Como incluir psicossociais no PGR passo a passo

O processo deve partir da análise do trabalho real e seguir a mesma lógica utilizada no gerenciamento dos demais riscos ocupacionais.

1

Defina o escopo da avaliação

Determine quais setores, processos, atividades, funções, turnos e grupos de trabalhadores serão considerados.

2

Analise a organização do trabalho

Observe demandas, metas, ritmo, jornadas, autonomia, apoio, comunicação, relações profissionais e gestão das mudanças.

3

Identifique os perigos psicossociais

Descreva as condições do trabalho com potencial de causar danos, evitando termos genéricos ou diagnósticos individuais.

4

Caracterize a exposição

Relacione cada perigo às atividades, situações geradoras, frequência, duração, intensidade e grupos expostos.

5

Avalie e classifique os riscos

Aplique os critérios de probabilidade e severidade adotados pela organização e determine o nível de risco.

6

Registre no inventário

Documente os perigos, grupos expostos, consequências, controles existentes, evidências e classificação dos riscos.

7

Elabore o plano de ação

Transforme os resultados em medidas específicas, com responsáveis, prazos, prioridades e critérios de eficácia.

8

Acompanhe e revise

Verifique se as medidas foram implementadas, se reduziram a exposição e se existem riscos residuais ou novos problemas.

1. Como identificar os perigos psicossociais

A identificação deve se concentrar nas condições de trabalho, e não na personalidade, na vida particular ou na resistência emocional dos trabalhadores.

Para representar adequadamente a realidade, a organização pode combinar diferentes fontes de informação.

Observação da atividade

Ajuda a compreender demandas, ritmo, interrupções, recursos, comunicação e variabilidades do trabalho real.

Entrevistas

Permitem aprofundar dificuldades, causas, estratégias, conflitos e condições específicas da atividade.

Questionários

Podem identificar padrões coletivos e dimensões que precisam de investigação complementar.

Indicadores

Absenteísmo, rotatividade, horas extras, afastamentos, queixas e acidentes podem orientar a análise.

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2. Como descrever o perigo psicossocial

O perigo precisa ser descrito de maneira específica. Expressões como “estresse”, “problemas emocionais” ou apenas “risco psicossocial” não mostram qual condição do trabalho gera a exposição.

Registro inadequado

Estresse no setor financeiro.

Registro mais adequado

Excesso de demandas e pressão de tempo no fechamento mensal, com equipe insuficiente e extensão frequente da jornada.

Registro inadequado

Problemas de relacionamento na equipe.

Registro mais adequado

Conflitos recorrentes entre equipes interdependentes, associados à indefinição de responsabilidades e a falhas no fluxo de informações.

3. Exemplos de perigos que podem entrar no inventário

A lista deve ser adaptada às condições reais da organização. O mesmo fator pode ter características diferentes conforme o setor, a atividade ou o grupo exposto.

Excesso de demandas

Volume, complexidade ou velocidade incompatíveis com o tempo e os recursos disponíveis.

Pressão de tempo

Prazos reduzidos, urgências frequentes ou ritmo elevado sem possibilidade de regulação.

Baixa autonomia

Pouco controle sobre tarefas, decisões, ritmo, prioridades ou pausas.

Falta de apoio

Ausência de orientação, recursos ou suporte da liderança e da organização.

Conflito de papéis

Responsabilidades indefinidas, ordens contraditórias ou prioridades incompatíveis.

Assédio e violência

Humilhações, ameaças, intimidação, discriminação ou agressões internas e externas.

Jornada inadequada

Horas extras recorrentes, turnos desfavoráveis ou recuperação insuficiente.

Exigência emocional

Contato frequente com sofrimento, conflitos, violência ou decisões críticas.

Mudanças mal gerenciadas

Alterações realizadas sem comunicação, participação, preparação ou suporte adequado.

Veja exemplos detalhados de fatores psicossociais

4. Como identificar os grupos expostos

O inventário deve relacionar os perigos aos grupos que efetivamente vivenciam as situações de trabalho avaliadas.

Nem sempre o cargo é o melhor critério de agrupamento. Trabalhadores de funções diferentes podem estar expostos às mesmas condições, enquanto pessoas com o mesmo cargo podem enfrentar realidades distintas.

Por atividade

Trabalhadores que realizam tarefas semelhantes ou compartilham a mesma demanda.

Por processo

Equipes envolvidas em uma mesma etapa, fluxo ou sistema de trabalho.

Por turno ou unidade

Grupos submetidos a jornadas, recursos ou formas de gestão diferentes.

Por situação de exposição

Trabalhadores que compartilham determinado perigo, independentemente do cargo formal.

5. Como avaliar os riscos psicossociais

Após identificar o perigo e caracterizar a exposição, a organização deve aplicar seus critérios de avaliação de riscos.

A metodologia precisa ser coerente, documentada e compatível com os critérios utilizados no PGR.

Frequência

Com que regularidade o fator aparece durante a atividade ou em períodos específicos.

Duração

Por quanto tempo o grupo permanece submetido à condição identificada.

Intensidade

Magnitude da demanda, da pressão, do conflito ou da condição organizacional.

Abrangência

Número de trabalhadores, equipes, setores, turnos ou unidades envolvidos.

Controles existentes

Medidas implantadas e evidências sobre sua adequação, aplicação e eficácia.

Possíveis consequências

Impactos potenciais sobre saúde, segurança, relações, qualidade e funcionamento do trabalho.

Veja como avaliar fatores psicossociais passo a passo

6. Exemplo de registro no inventário de riscos

Considere um setor comercial que apresenta metas elevadas, alterações frequentes de prioridade e cobrança intensa nos últimos dias de cada mês.

1

Perigo identificado

Pressão de tempo e metas incompatíveis com os recursos disponíveis nos períodos de fechamento.

2

Situação geradora

Aumento da demanda, equipe reduzida, mudanças de prioridade e necessidade frequente de extensão da jornada.

3

Grupo exposto

Analistas e assistentes responsáveis pela consolidação e conferência dos resultados mensais.

4

Possíveis consequências

Fadiga, dificuldade de concentração, erros, conflitos, retrabalho e redução da recuperação entre jornadas.

5

Controles existentes

Reuniões diárias de acompanhamento e possibilidade eventual de redistribuição das tarefas.

6

Avaliação do risco

Classificação realizada conforme os critérios de probabilidade e severidade definidos pela organização.

7. Como levar as medidas ao plano de ação

O plano de ação deve transformar a recomendação em uma ação clara e verificável. Medidas genéricas dificultam a execução e o acompanhamento.

Medida genérica

Reduzir o estresse dos trabalhadores do setor.

Medida mais adequada

Revisar o cronograma de fechamento e redistribuir as tarefas críticas ao longo do mês.

Medida genérica

Treinar a liderança para melhorar o clima.

Medida mais adequada

Implantar protocolo de definição de prioridades, feedback e encaminhamento das dificuldades operacionais.

O que deve constar em cada ação

Medida

Descrição objetiva da mudança, teste, revisão ou intervenção que será realizada.

Responsável

Área ou pessoa responsável por coordenar a implantação da ação.

Prazo

Data prevista para início, teste, implantação ou conclusão da medida.

Prioridade

Definição baseada na classificação do risco, na abrangência e na urgência.

Recursos

Equipe, orçamento, tecnologia, apoio técnico ou mudanças necessárias.

Critério de eficácia

Indicador ou evidência que será utilizado para confirmar o resultado da ação.

Como priorizar as medidas de prevenção

As medidas devem atuar prioritariamente sobre as condições que produzem a exposição, evitando transferir exclusivamente ao trabalhador a responsabilidade pelo controle.

Modificar a organização do trabalho

Revisar demandas, metas, prazos, jornadas, processos, recursos e dimensionamento.

Ampliar autonomia e participação

Permitir maior influência sobre ritmo, tarefas, decisões e mudanças que afetam o trabalho.

Fortalecer apoio e comunicação

Preparar lideranças e criar fluxos efetivos para orientação e solução de problemas.

Adotar medidas complementares

Oferecer treinamento, acolhimento e apoio sem substituir as mudanças organizacionais necessárias.

Participação dos trabalhadores no PGR

Os trabalhadores podem contribuir para identificar perigos, validar as situações de exposição, avaliar a aplicabilidade das medidas e verificar os resultados.

A participação precisa ocorrer de forma segura, com proteção da confidencialidade e sem exposição indevida de respostas ou relatos individuais.

Na identificação

Relatar demandas, dificuldades, conflitos, variabilidades e limitações dos recursos.

No planejamento

Contribuir para verificar a viabilidade e os possíveis efeitos das medidas propostas.

Na avaliação da eficácia

Informar se as mudanças reduziram o problema ou criaram novas dificuldades.

Como avaliar a eficácia das medidas

A conclusão da ação no cronograma não significa que o risco foi controlado. A organização precisa verificar o resultado produzido na situação de trabalho.

1

Confirme a implementação

Verifique se a medida foi executada conforme o que estava previsto.

2

Reavalie a situação de trabalho

Observe novamente demandas, recursos, jornada, autonomia, apoio ou relações afetadas pela intervenção.

3

Compare indicadores

Analise mudanças em horas extras, conflitos, queixas, rotatividade, erros ou outros dados relevantes.

4

Escute os trabalhadores

Verifique se o grupo percebeu melhoria e se surgiram consequências não previstas.

5

Revise o risco residual

Atualize a avaliação e defina novas medidas quando o controle permanecer insuficiente.

Quando o PGR deve ser revisado

Os fatores psicossociais podem mudar quando há alterações na organização, no processo, na tecnologia, na equipe ou nas formas de gestão.

Após mudanças organizacionais

Reestruturações, fusões, redução de equipe, novos sistemas ou alteração de processos.

Após implementar medidas

Revisão necessária para avaliar os riscos residuais e a eficácia das ações.

Diante de resultados insuficientes

Persistência de queixas, conflitos, afastamentos ou dificuldades relacionadas ao trabalho.

Quando surgirem novos perigos

Identificação de condições ou grupos expostos que não constavam na avaliação anterior.

Erros comuns ao incluir psicossociais no PGR

Registrar apenas “estresse”

O termo não descreve a condição de trabalho nem a situação geradora da exposição.

Aplicar questionário e encerrar

A coleta precisa ser seguida pela análise, avaliação, definição de medidas e acompanhamento.

Individualizar o problema

Resiliência e autocuidado não corrigem sobrecarga, assédio, metas incompatíveis ou falta de recursos.

Usar a mesma descrição para todos

Os perigos precisam refletir as particularidades das atividades e dos grupos expostos.

Criar ações genéricas

Medidas sem responsável, prazo e critério de eficácia dificilmente produzem gestão efetiva.

Não revisar o inventário

Mudanças e resultados das intervenções precisam atualizar a compreensão e a classificação dos riscos.

Perguntas frequentes sobre psicossociais no PGR

Os fatores psicossociais precisam constar no PGR?

Sim. Os fatores relacionados ao trabalho devem ser considerados na identificação de perigos, na avaliação de riscos, no inventário e no plano de ação.

Posso registrar apenas “risco psicossocial”?

Não é recomendado. O registro deve indicar a condição de trabalho, a situação geradora e o grupo exposto.

O questionário deve ficar anexado ao PGR?

O PGR deve registrar os resultados necessários à gestão. Instrumentos, relatórios e bases detalhadas podem ser mantidos como documentos de suporte, respeitando a confidencialidade.

Programa de saúde mental substitui o plano de ação?

Não. Programas de apoio podem complementar as ações, mas não substituem medidas voltadas às causas presentes na organização do trabalho.

Como comprovar que a medida funcionou?

Por meio da reavaliação da atividade, participação dos trabalhadores, comparação de indicadores e revisão do risco residual.

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